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AÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DE GRIFE TRANSFORMA ROUPA EM PRATOS DE COMIDA

25/06/2019 | Sônia Apolinário

Uma grife carioca celebrou, em maio, três anos de um programa de responsabilidade social que resultou na doação de recursos que permitiu servir, até então, 29 milhões de pratos de comida. O 1p5p da Reserva estabelece que para cada peça de roupa vendida, cinco pratos de comida serão doados. Por trás dessa fórmula aparentemente simples, existe toda uma engrenagem movimentada por centenas de pessoas que buscam equacionar a realidade brasileira da fome, em um país com alto índice de desperdício de alimentos.

No site da Reserva, um contador atualiza, a cada 15 minutos, o número de pratos doados desde 20 de maio de 2016, quando foi criada a ação 1p5p da grife. Na palavra “doados”, um asterisco esclarece que se trata de “refeições complementadas”.

Na prática, isso significa que a empresa doa um montante mensal, de acordo com o resultado de suas vendas. Duas ONGs são as contempladas: Banco de Alimentos e Mesa Brasil. São essas instituições que transformam a verba doada em prato de comida. Não diretamente. Elas recolhem alimentos que não seriam aproveitados e encaminham para instituições cadastras, onde, finalmente, a refeição é feita e distribuída.

Foi uma conversa com uma criança que fez o CEO da marca, Rony Meisler, implantar o 1p5p, como conta Alan de Abreu, responsável pelo Departamento de Sustentabilidade da empresa:

“Em 2016, a Reserva já apoiava empreendedores sociais. Rony foi a Pentecostes, no Ceará, para conhecer um projeto de educação infantil. Conversando com uma das crianças, ele ouviu uma frase que fez sua ficha cair: com fome, ninguém consegue estudar. E por lá havia fome”.

Rony conhecia o trabalho da economista Luciana Quintão que, em 1998, criou o Banco de Alimentos. Desde essa época, ela atua contra o desperdício de comida no país. Basicamente, o que a ONG faz é coletar alimentos excedentes nas empresas e comércios e distribuir nas instituições sociais atendidas – atualmente, 41 estão cadastradas. A máxima de Luciana é “buscar onde sobra e entregar onde falta”. Foi por lá que o 1p5p começou a dar os primeiros passos.

O Banco de Alimentos atua apenas em São Paulo. Alan conta que, para ampliar o alcance da ação, a Reserva fechou parceria, em 2017, com o Mesa Brasil do Sesc, uma rede nacional, que também busca alimento onde sobra para entregar onde falta.

A Reserva tem 74 lojas espalhadas pelo país e conta com 1.500 colaboradores. Seu QG fica em São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro.

“Todos os nossos colaboradores são capacitados para falar sobre o 1p5p. Informamos sobre a ação no nosso cupom fiscal e nas nossas sacolas, mas não se trata de uma situação oportunista para aumentar vendas. Essa ação dá uma motivação a mais para nossos vendedores, porém, a venda é consequência do nosso trabalho no dia-a-dia”, comenta Alan.

Faz parte do trabalho do Banco de Alimentos e do Mesa Brasil a realização de ações de conscientização para evitar o desperdício de alimentos. A Reserva acompanha as ONGs nisso também. No próximo dia 1 de julho, uma segunda-feira, a chef Neide Marco, dará uma oficina de aproveitamento de alimentos para colaboradores da marca que trabalham em São Cristóvão.

Nas mãos de Neide, nenhuma casca, talo ou semente vai para o lixo. Tudo vira comida gostosa. Na oficina, ela vai ensinar, por exemplo, a fazer brigadeiro de chuchu, cocada de alface, brownie de feijão, bife à milanesa de casca de banana e salgadinho frito com tudo quanto é tipo de verduras, além de jujuba de legumes.

ONG Banco de Alimentos

No Brasil, são desperdiçados, por ano, cerca de 26 milhões de toneladas de comida, que poderiam alimentar 19 milhões de pessoas. Metade do desperdício se dá no transporte, entre o produtor e o consumidor, porque frutas e legumes amassam ou murcham. São esses alimentos que perdem o valor comercial que o Banco de Alimentos recolhe.

Diariamente, das 8h às 18h, a ONG faz “colheita urbana”, em São Paulo. Por mês, arrecada de 30 a 50 toneladas de alimentos, entregues às instituições cadastradas, que transformam em refeição para 20 mil pessoas. Desde a sua criação, a ONG livrou do desperdício 7,5 milhões de quilos de alimentos.

“Um terço de tudo o que é produzido, em todo o mundo, nunca vai chegar para ninguém. Ao mesmo tempo, a fome volta a crescer. Por isso, além da busca de alimentos, também trabalhamos para conscientizar as pessoas para que evitem o desperdício. Tentamos inspirá-las para que também mudem hábitos alimentares”, afirma Gabriel Monteiro, Coordenador de Comunicação e Marketing do Banco de Alimentos.

Capacitar e reciclar as cozinheiras das instituições atendidas é uma das ações da ONG, que conta com 15 funcionários (Luciana incluída) e uma estagiária. É mantida com a doação, atualmente, de 30 empresas. Na lista de espera, 300 instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade, aguardam a oportunidade de se cadastrar para receber os alimentos.

Gabriel explica que as doações dos parceiros são mensais, porém, os valores não são fixos, mas proporcionais aos respectivos faturamentos.

“Estamos vivendo uma crise e todos os nossos parceiros estão vendendo menos”, comenta ele que, em relação à Reserva, conta que, em período de Black Friday, a marca não pratica descontos para o consumidor, mas dobra a ação que passa a ser 1p10p.

Mesa Brasil

A Mesa Brasil conta com 91 unidades de funcionamento e abrange 541 cidades. Conta com 3.385 doadores e atende 6.092 instituições. Entre janeiro e dezembro de 2018, distribuiu 37.189.977 kg de alimentos e atendeu a 1.456.966 pessoas por dia.

A chef Neide Marco se especializou em culinária vegana e funcional. Esse foi seu ponto de partida antes de começar a trabalhar com aproveitamento integral dos alimentos, há 12 anos. Atualmente, divide seu tempo entre seu buffet e aulas de capacitação para cozinheiras de instituições, em um circuito estabelecido pelo Sesc.

“O chef, antes de tudo, é um bom cozinheiro. Quando comecei, ninguém queria saber dessa vertente da culinária de aproveitamento integral do alimento. Queriam outras coisas que consideravam mais glamorosas. Atualmente, isso está mudando. As pessoas estão mais atentas com essa questão do desperdício de comida”, afirma a chef.

Ela conta que a primeira lição de todas as suas aulas é ensinar a correta higienização dos alimentos. A partir daí, segundo ela, é só usar a criatividade para utilizar todas as cascas – a única que não utiliza é a do inhame por conta dos “cabelos”.

Aproveitar o que se tem na geladeira é a grande mágica que Neide ensina. Um restinho de repolho roxo pode virar suco com a ajuda de um maracujá. Você joga a casca do chuchu fora? Pois é ali que está o principal nutriente da hortaliça que a chef jura que se transforma em um suco delicioso se acrescentar um limão.

De uma abóbora, a chef usa a casca para fazer cocada, farinha ou recheio de bolo; com o miolo, suco ou doce; com a semente, pé de moleque, paçoca ou brigadeiro.

São tantas receitas que Neide está preste a lançar seu quinto livro: “Aproveitamento integral: da casca ao prato”.

 

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