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LUCIANA QUINTÃO LANÇA O LIVRO INTELIGÊNCIA SOCIAL – A PERSPECTIVA DE UM MUNDO SEM FOME(S)

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À frente da ONG Banco de Alimentos desde 1998, a economista Luciana Chinaglia Quintão lançou o livro Inteligência Social – A perspectiva de um mundo sem fome (s) no dia 18 de dezembro, na Livraria da Vila (Pátio Higienópolis). Certa de que as pessoas são as responsáveis pela construção do mundo à sua volta, Luciana nunca se conformou com a visão da desigualdade e da violência, de tanta pobreza em meio a tanta riqueza. Intuitivamente, já praticava o conceito de Inteligência Social, agora abordado em sua obra a partir de uma visão inovadora: a Inteligência Social “expandida para a sociedade de uma forma mais ampla, com todas as camadas que a compõem integradas e correlacionadas conscientemente, no intuito de criar um tecido social saudável”.

Já na introdução, Luciana questiona: “Até quando vamos presenciar tantas fomes sem que nos permitamos virar o rosto para problemas tão graves? A fome dói, exclui, mata e constitui-se em um abuso social. Sempre entendi a fome como metáfora para todo tipo de carência. Temos fome de comida, de justiça, de amor, de transporte, de moradia e de educação. Tudo isso é fome. Tem fome, portanto, quem é privado de algo, inclusive de seus direitos sociais, como vivenciam tantos cidadãos do Brasil e de outras regiões do planeta”.

O que é Inteligência Social?

Para Luciana, a Inteligência Social é o caminho para mudar essa realidade; e a evolução social ocorre quando a inteligência coletiva está presente e atuante. Inteligência Social é transformar o que já não produz bons resultados, construir e fazer o bem e o necessário para que haja harmonia, segurança, paz, necessidades básicas atendidas, proteção ao meio ambiente e uso sustentável dos recursos naturais.

É nesse contexto, a partir de um novo olhar sobre o que é a Inteligência Social e como praticá-la, que a obra se desenvolve. Com uma visão mais ampla e sistêmica, a autora vai além dos conceitos já estabelecidos na literatura, que relacionam a Inteligência Social ao âmbito pessoal e interpessoal, para demonstrar que o conceito compõe um grande sistema comunicante, que envolve o meio ambiente, ciência e tecnologia, arte e cultura, economia, cidadania, educação, espiritualidade e política.

“O germe da Inteligência Social nasce dentro do indivíduo, mas se manifesta ao ser aplicado para o bem coletivo”. É esta inteligência que “permite construir uma estrutura social justa e equilibrada e, se possível, tecnologicamente avançada, em que estejam assegurados os direitos humanos e civis”. “Se o eleitor muda, o político muda. Se o consumidor muda, a indústria muda. Se o professor muda, o aluno muda. Se eu mudo, eu mudo o mundo”, destaca a autora.

Escolhas

Há uma relação intrínseca também, entre inteligência e escolhas. ”Quanto mais consciente for o indivíduo de seus atos e de suas consequências, melhores serão as suas escolhas”, analisa Luciana. Quando a escolha é consciente e em benefício de todos, destaca-se a presença da Inteligência Social. Entre os indicadores do descaso – exemplos de más escolhas – estão o desperdício de água, o desmatamento de florestas, o descarte irresponsável do lixo, o desperdício de alimentos…

Para Luciana, é fundamental o entendimento de que “sempre vivemos em rede e sempre vamos viver, não se tratando apenas de uma questão tecnológica”. “Trata-se de um universo onde tudo e todos estão interconectados – a natureza nos mostra isso a todo momento, tal qual uma engrenagem que funciona com perfeição”. “Por essa razão”, afirma, “colocamos em risco o funcionamento da engrenagem social todas as vezes que atuamos de modo não inteligente e negligente, ou seja, quando criamos desequilíbrios que nos levam para longe de uma harmonia. Mais que nunca precisamos aprender a viver em sociedade”.

O livro

Com 253 páginas, a obra se divide em três partes: I – Inteligência Social; II – Rumo à Evolução Social; III – Inteligência Social Aplicada. No apêndice, o livro traz considerações importantes relacionadas à história da ONG Banco de Alimentos, instituição que busca alimentos onde sobre e leva onde falta, com 41 instituições assistidas que beneficiam mais de 20 mil pessoas. Relata a história da fome no Brasil, com um rico levantamento da segunda metade do século 19 até os dias atuais, que revela que a questão da negação da necessidade mais básica do ser humano, a fome, não é recente em nosso país, fruto não só do subdesenvolvimento econômico, mas, na análise de Luciana, de uma grave falta de Inteligência Social. No Brasil, 52 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar, ou seja, passam fome em diferentes graus.

Com muita informação e inspiração, Luciana destaca como é importante que cada pessoa – em todas as esferas de atuação, mesmo política e governamental – participe do grupo e do ambiente em que vive, mesmo em pequena escala, criando a melhor realidade, com empatia para com as outras pessoas, expandindo uma visão de mundo mais inteligente. Na construção deste círculo virtuoso, surgem antídotos para a desinteligência, como a boa educação e o caminho do auto-aperfeiçoamento, gerador de conhecimento e promotor de consciência. “Novos paradigmas políticos, econômicos, sociais e educacionais são necessários. Educar é muito mais que ter o antigo sistema de giz. A economia é muito mais que servir aos interesses de poderosos; e a política é muito mais do que mandar e desmandar a seu bel prazer, mas sim entregar resultados”.

Como começar a praticar a Inteligência Social?

A primeira atitude é não ser indiferente à realidade que nos cerca, sair da zona de conforto e crescer como indivíduo, como nação. Quando há Inteligência social, há também uma maior contribuição das pessoas em geral para o ambiente social, com base em pilares como o comprometimento, sabedoria, conhecimento, eficiência, verdade, convivência harmoniosa e formação.

É preciso também redefinir o significado de riquezas de uma sociedade e migrar para um novo modelo. Além disso, devemos nos ater ao bem verdadeiro como a prática da Inteligência Social e investir em conhecimento dos fatos, no entendimento das relações humanas e sociais, na moral e na ética, e no conhecimento do próprio ser humano. Agirmos como médicos sociais, conhecendo a doença que acomete o nosso corpo social e seguir o caminho da cura com base no uso da inteligência sanadora aplicada aos males que se apresentam.

Com muitos exemplos, práticas inspiradoras, referências e dados referentes à política, economia, educação, saneamento e gestão pública, Luciana Quintão proporciona uma leitura enriquecedora para seguirmos na prática de uma nova configuração do tecido social, com coragem e ética para fazer o bem: “O tecido social terá a configuração e a aparência de como o bordarmos, assim como da qualidade das linhas que usarmos.”

A autora certamente dá aos leitores um caminho iluminado capaz de levar à prática a dedicatória estampada no início da obra:

Para todas as crianças de hoje e de amanhã, na esperança de que, por meio de uma nova consciência, possam ser melhores alimentadas e curadas de todas as fomes que tiram a paz do mundo.

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